Archive for outubro \27\UTC 2007

Dolly Mixture – Baby, It’s You [1980] / Everything And More [1982]

outubro 27, 2007

O Dolly Mixture foi um grão de açucar no meio de toda aquela gritaria punk do final da década de 70. Sou fascinado pela banda, desde a estética até a música feita por essas três garotas britânicas. O trio teve uma carreira bem curta: durou de 1980 a 1984. Lançaram quatro singles de 7”, um EP de 12” e um disco duplo com todas as demos.

A banda se formou em 1978 na cidade de Cambridge. Debsey Wykes, Rachel Bor e Hester Smith tinham na época 18, 15 e 18 anos respectivamente. A pouca idade não as empediam de tocar o som que elas realmente gostavam: girl-groups dos anos 60 e The Undertones. Depois que de serem bastante elogiadas pelo grande radialista John Peel, a Chrysalis Records se interessou pelas garotas e elas acabaram assinando um contrato para lançar um single. Em 1980 é lançado uma versão de “Baby It’s You”, das Shirelles. Porém, esse single foi repudiado pela banda, alegando que a gravadora queria transformá-las em um “teen-girl-group”. Considerada como uma das primeiras bandas riot-grrrl (pela atitude e não pelo som), o Dolly Mixture lançou dois singles, “Been Teen” (1981) e “Everything And More” (1982), pela gravadora do Paul Weller, a Respond Records. Ambos os singles foram produzidos por Captain Sensible e por Paul Graya, do The Dammed. Sensible e a Rachel Bor acabaram se relacionando e tiveram três filhos.
Em 1983 a banda lançou o “album branco”, como elas o chamaram. “The Demonstration Tapes” é um album duplo que reune as demos e sobras de estúdio. O album foi lançado pelo próprio selo das garotas, o Dead Good Dollys Platters e todos foram autografadose numerados. Eu acho esse disco sensacional, as covers de Femme Fatale (Velvet) e The Loco-Motion (Little Eva) são geniais.
Depois disso, o trio lançou mais um single pelo próprio selo e um 12” pela Cordelia Records. A banda encerrou as atividades em 1984. Bem mais tarde, Debsey Wyke começou excursionar com o Saint Etienne e acabou montando uma banda com o Paul Kelly, a Birdie (postei um disco deles a dois posts atrás).Subi os meus singles favoritos da banda. Mais para frente eu subo o restante.

Dolly Mixture – Baby, It’s You 7” [Chrysalis, 1980] Dolly Mixture – Everything And More 7” [Respond, 1982]

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The Pastels – Truck Train Tractor [1986]

outubro 25, 2007

O que dizer sobre umas das minhas bandas favoritas de todos os tempos? Hoje em dia já dá para achar muita coisa sobre eles na internet. Para quem não conhece, recomendo ler isso e isso. Só para ter uma idéia da importancia de Stephen Pastel para o cenário independente do Reino Unido e até mundial, o cara foi responsável por divulgar bandas como o Jesus and Mary Chain e o Teenage Fanclub. Sem contar o maravilhoso selo 53rd & 3rd (sim, a música dos Ramones) que lançou singles de bandas como Beat Happening, Talulah Gosh e Vaselines.
“Breaking Lines” (lado B desse compacto) foi a primeira música que ouvi deles e foi paixão a primeira vista. Tudo tão inocente, o vocal desafinado, a letra triste, o refrão chiclete… Ficou tudo gravado em minha cabeça desde então. O lado A, “Truck Train Tractor”, é clássico absoluto. O mundo seria um lugar melhor se tocasse essa música em toda festa que eu freqüentasse. Isso sim é música para fazer air guitar e dançar com a caixa de som.

Poster de um show em 1994

Birdie – Spiral Staircase (1997)

outubro 23, 2007

Bem, como estou sem tempo para postar discos inteiros e escrever um textinho sobre cada um, resolvi adotar o formato de 7 polegadas. Fica bem mais fácil postar todos os dias e é bom que compartilho algumas jóias que tenho por aqui.

Para começar, o primeiro compacto do Birdie. Os ingleses Debsey Wykes e Paul Kelly gravaram esse disco totalmente em casa, então dá para sentir o clima lo-fi que permeia pelas duas músicas. E que músicas! ” Spiral Staircase” começa com uma levada folk e logo entra o vocal doce e cheio de reverb de Debsey e no meio da música aparece algo que entendo como um “sample solo de sax de 10 segundos”. Do outro lado do disquinho, começa a “Port Sunlight” com uma levada mais feliz do que a primeira música. É impressionante como tudo soa tão lo-fi sem parecer pretencioso, provavelmente por terem gravado dentro de um quarto, em uma Cambridge fria e chuvosa.