Archive for the ‘discos’ Category

a melhor noite do ano que eu não vi

novembro 3, 2008

Desde que surgiu ali no começo dos anos 90, o coletivo Elephant 6 se tornou um dos maiores berços de bandas significativas para aquela década. Seguindo a cartilha das pequenas gravadoras de sucesso, tudo começou com grandes amigos de infância que decidiram montar bandas e trocar fitas K7 entre eles. Nessa época surgiu a primeira leva de bandas, como o Olivia Tremor Control, o Neutral Milk Hotel e o Apples in Stereo. Essa última lançou o primeiro compacto da gravadora em 93. Durante a década, a Elephant 6 seguiu procriando bandas que fariam parte da história do cenário independente dos anos 90, ditando um dos cânones daquela cena: o experimentalismo lo-fi.

A E6 não foi nada mais do que um grupo de amigos que gostavam de compartilhar suas músicas visando somente os pequenos palcos. As vezes nem isso. E essa turnê surpresa que começou no mês passado só demonstra isso. Um bando de gente simples celebrando o fato de estarem juntos tocando suas músicas para uma pequena porção de pessoas igualmente fascinadas por essa música.

Elephant Six Orchestra – Holiday Surprise Tour [Chicago, IL; 10/21/08]

set list:

Disco 1

1. His Mister’s Pet Whistles (Major Organ & the Adding Machine)
2. Yesterday’s World (Circulatory System)
3. Love Athena (Olivia Tremor Control)
4. –setup time–
5. NYC-25 (Olivia Tremor Control)
6. The Afternoon (Apples in Stereo)
7. The Minister of Longitude (Music Tapes)
8. Snorkel (Gerbils)
9. Lead (Gerbils)
10. Spiral Stairs (Elf Power)
11. An Old Familiar Scene (Elf Power)
12. Karaoke Free (Pipes You See, Pipes You Don’t)
13. I Have Been Floated (Olivia Tremor Control)

Disco 2

1. –setup time–
2. The Sea is Falling (Julian Koster and the Singing Saw)
3. No Growing (Exegesis) (Olivia Tremor Control)
4. Stream Running Over (Apples in Stereo)
5. –setup time–
6. Devils (63 Crayons)
7. –setup time–
8. Back to the Web (Elf Power)
9. The Arrow Flies Close (Elf Power)
10. –setup time–
11. Songs for Oceans Falling (Music Tapes)
12. The Television Tells Us (Music Tapes)
13. Elephant Six poem (Thax Douglas)
14. Cynicism (Nana Grizol)
15. We Will (Nana Grizol)
16. –setup time–
17. Skies (Gerbils)
18. My Honor (Gerbils)
19. Mr. Henry (Pipes You See, Pipes You Don’t)
20. –gifting of the present by animal guessing game–
21. Solid Forms Dissolve (Circulatory System)
22. A Sleepy Company (Olivia Tremor Control)
23. Sunshine Fix (Olivia Tremor Control)

Disco 3

1. The Fool (Neutral Milk Hotel)
2. Lifeform (Major Organ & the Adding Machine)
3. Everything is Pretty Much OK (Nana Grizol)
4. You Fell In Love With The Sunshine (Nana Grizol)
5. –setup time–
6. Glue (Gerbils)
7. –setup time–
8. Opera House (Olivia Tremor Control)
9. –setup time–
10. Skyway (Apples in Stereo)
11. –setup time–
12. Neon Globe (Circulatory System)
13. –setup time–
14. Manifest Destiny (Music Tapes)
15. –setup time–
16. Forever (Circulatory System)
17. Engine (Neutral Milk Hotel)

Jay Reatard na Matador

outubro 21, 2008

Se você costuma ler esse blog ou qualquer outro site sobre música, você deve saber que o Jay Reatard lançou alguns singles pela Matador. Finalmente esses seis singles são lançados em um disco único, chamado simplesmente de Matador Singles ’08.
É o tipo de disco certeiro, que compila alguns dos melhores singles lançados esse ano.

Jay Reatard – Matador Singles ’08 (2008) [Matador]

un dia

outubro 9, 2008

Tive a oportunidade de ver um show da Juana Molina ano passado em São Paulo e foi algo impressionante. Ver ao vivo todo o trabalho com loops e sobreposições que ouvi nos discos foi inspirador.

“Un día voy a cantar las canciones sin letra y cada uno podrá imaginar si hablo de amor, de desilusión, banalidades o sobre Platón.”

Un Dia, quinto disco em 20 anos de carreira, é um conjunto de canções hipnóticas. A construção complexa dos últimos discos está muito mais colorida aqui, brincando cada vez mais com elementos eletrônicos e naturais. Juana consegue mesclar barulhos desconhecidos com elementos da musica pop, que viram um aconchegante crescendo em sua cabeça.
Apesar de toda essa complexidade musical, Un Dia é um discos extremamente humano que transpira todos os sentimentos em cada loop e frase das letras.

Juana Molina – Un Dia (2008) [Domino]

sunn O)))

outubro 8, 2008

O Sunn O))) foi convidado no ano passado para gravar um disco em uma igreja construída no século 13 na Noruega, como show de encerramento do Borealis Festival. Essa sessão foi captada em um sistema móvel de gravação e prensado em dois vinis de 180gr, lançados nesse ano apenas nesse formato (nada de cd ou download).

São quatro faixas que seguem um caminho um pouco diferente dos outros discos, que tinha como fundamento o drone. Aqui eles soam menos densos devido a gravação ter sido feita na igreja, o que resultou em timbres menos graves do que antes. Fugindo do padrão das guitarras, a dupla utilizou outros instrumentos para esse show, principalmente o órgão de sopro da catedral.

Não espere outro disco de doom-drone-Sunn O))). Dømkirke é um experimento de timbres e ambientações sonoras, longe do conforto do estúdio e da pós-produção.

sunn O))) – Domkirke (2008) [Sothern Lord]

Laura, Heather and Calvin

outubro 8, 2008

Não tenho muito o que escrever sobre o Beat Happening. Pelo menos nada que você não saiba. Então vou escrever mais ou menos o por que de todo esse universo da K Records ter um certo papel importante no meu senso musical.

Calvin Johnson é para mim uma das figuras mais importantes em termos de atitude perante o cenário musical. É claro que ele nunca vai entrar em alguma enciclopédia da música ou algum livro do tipo, apesar de ser uma das pessoas mais respeitadas quando se fala de pequenas gravadoras e produção musical independente.
No meio de todo aquele movimento punk/HC americano e do comecinho do grunge durante os anos 80, timidamente Calvin Johnson criou em Olympia um movimento próprio, usando a filosofia DIY do punk para quebrar os padrões convencionais do rock e, de certa forma, criou um novo modo de se portar na sociedade. A K Records e o Beat Happening adotaram o hoje batido senso estético “lo-fi”, com uma atitude primitiva e não convencional de tocar e gravar música.
Desde moleque, Calvin se interessou por música independente. Depois de crescer ouvindo Velvet e Stooges, em 1977 ele já passava grande parte de seu tempo contribuindo para um “certo” fanzine chamado Sub Pop… Alguns anos depois ele resolveu montar sua própria gravadora, com um único ideal: lançar discos de bandas desconhecidas que nenhuma outra gravadora lançaria, sempre fazendo tudo por conta própria, seja as capas dos discos, as gravações e a divulgação. Em uma entrevista para a CBC em 1995, ele disse que “só queria lançar os discos das bandas dos meus amigos, o que é exatamente o que eu faço até hoje…”.

Admiro essa “necessidade” de buscar por pequenas bandas desconhecidas. Desde que toda esse mito criado pela K Records chegou ao meu alcance, comecei a criar o interesse de pesquisar e passar para frente essas bandas.
Para entender mais sobre tudo isso do que eu resumidamente escrevi, recomendo a leitura do tão falado artigo do Nitsuh Abebe (cheguei a traduzir, mas nem lembro mais onde coloquei) e do obrigatório livro Our Band Could Be Your Life, do Michael Azerrad, sobre o cenário independente americano dos anos 80. Devo postar até o fim dessa semana o documentário The Shield Around the K sobre o legado da K Records.

Voltando para o Beat Happening, a caixa Crashing Through foi lançada em 2003 em uma edição de apenas 5.000 cópias. São os cinco discos de estúdio, um disco de raridades e b-sides e um sétimo disco com alguns vídeos e algumas canções de um show com o Vaselines.
É uma boa oportunidade para quem não conhece bem a banda ou a estética sonora confeccionada pelo mestre Calvin Johnson.

Beat Happening (1985)

Jamboree (1988)

Black Candy (1989)

Dreamy (1991)

You Turn Me On (1992)

Music To Climb The Apple Tree By (2003)

Bonus Disc (2003)

Vivian Girls

outubro 6, 2008

Vivian Girls já é a melhor banda realmente nova que ouvi esse ano. Não tem como não gostar de uma banda que soa como um Black Tambourines produzido pelo Phil Spector.
O debut dessas três garotas de Nova Yorke (sempre lá…) foi lançado na semana passada e foi aclamado por diversos sites especializados. Mas antes disso, ainda nesse ano, elas lançaram três compactos de 7” já esgotados. São pequenos atos maravilhosos que transpiram espírito garageiro.

Wild Eyes 7″ (2008) [Plays With Dolls]

Orphanage 7″ (2008) [Woodsist Records]

I Can’t Stay 7″ (2008) [In The Red Recordings]

PS: O Gustado, do ótimo Take the Pills, postou o disco de estréia delas aqui.

Robert Crumb e as mulheres

outubro 2, 2008

Robert Crumb sempre teve uma obsessão particular pelas mulheres, como pode ser visto em seus inúmeros livros. Aqui ele selecionou uma variedade de gravações estranhas de 78 rotações (a maioria das décadas de 20 e 30) só com vozes femininas. Outro detalhe interessante é que todas as canções são de regiões onde o clima é relativamente quente: México, Cuba, Turquia, Taiti, Vietnã, Algéria, Brasil etc. Por isso o titulo do disco.
O mais bacana é que seria impossível ouvir essas canções se não fosse pelo mestre Crumb.

Robert Crumb Presents Hot Women Singers (2003)

Castanets

outubro 2, 2008

Como o próprio nome do disco sugere, o novo do Castanets tem uma enorme carga sentimental no que se diz respeito ao isolamento. O fato das canções terem sido gravadas durante três semanas em um quarto de hotel no deserto de Nevada, ajudou a carregar esse clima do disco.
Ray Raposa criou uma trilha sonora fictícia para algum filme nostálgico, utilizando ruídos que ecoam entre as canções e interlúdios de guitarras que lembram as trilhas dos spaghetti westerns. Depois foram adicionadas algumas pequenas passagens de amigos como Sufjan Stevens, Dawn Smithson (Sunn O)))) e Scott Tuma (Souled American).
City of Refuge é uma paisagem desolada. Talvez com alguns coiotes e lagartos passando por ali, mas nada mais que isso.

Castanets – City of Refuge (2008) [Asthmatic Kitty]

Gang Gang Dance

setembro 30, 2008

Nova Iorque sempre foi a grande expoente da cena que os jornalistas cunharam de “art rock”. De 2000 para cá, surgiu uma nova leva de bandas influenciada pela mítico barulho cultural da cidade: Black Dice, Liars, Raccoo-oo-oon, A Place To Bury Strangers, só para citar alguns. É claro que tem muita coisa ruim sendo feita por lá.
No meio do barulho e da gritaria sem sentido, o Gang Gang Dance consegue transformar toda essa carga experimental do “estio” em algo original. São pretensiosos ao experimentar diversos ritmos modernos (grime, funk, reggaeton , breakcore, dubstep…) para criar uma sonoridade de vanguarda que não soa massiva em momento algum. Com camadas de barulhos, batidas tribais e guitarras shoegazer, Saint Dymphna é uma criação artística de grande frescor inovador. Um dos discos do ano.

Gang Gang Dance – Saint Dymphna (2008) [Warp]

Brightblack Morning Light

setembro 29, 2008

Brightblack Morning Light é talvez hoje a banda mais hippie. Mas não aquele discurso hippie genérico “violão e flores”, o que temos aqui é o melhor da pscicodelia sessentista.
Gravado somente com energia solar na casinha do casal hippie, Motion To Rejoin é terceiro disco da banda e o segundo lançado pela Matador. As músicas são conduzidas por um teclado Rhodes vintage que dita a sonoridade que ouvimos durante toda a audição, que lembra bastante os momentos mais calmos do Spiritualized.

Brightblack Morning Light – Motion To Rejoin (2008) [Matador]