Archive for the ‘Música’ Category

Reid Miles

outubro 16, 2008

A Blue Note até hoje é sinônimo de arte refinada, seja pelos músicos que fazem parte do catálogo da gravadora ou pelas capas. O designer Reid Miles foi o responsável pelas capas durante 11 anos, em conjunto com o fotógrafo Francis Wolf. Impressionante como uma coleção de capas retrata, de certa forma, uma certa época na cultura ocidental. Com um fantástico tratamento tipográfico por cima das fotografias monocromáticas de Wolf, Miles criava as capas usando apenas as mãos, sem nunca ter precisado das formas de tipos. Interessante é que ele não era fã de jazz e sim de música clássica, o que pode ter influenciado na expressão de suas criações, que tem uma aura “distante”.
Selecionei algumas das minhas capas originais favoritas para postar aqui. Não se esqueça de ouvir os discos, também. Mais que obrigatórios.

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water curses

outubro 13, 2008

Um do Animal Collective criou um video para a música Water Curses do EP leva esse nome, lançado esse ano. Ele usou as ferramentas Flash CS3 e After Effects e o resultado é uma bela animação abstrata.


o que é importante?

outubro 12, 2008

Um dos sites mais bacanas que descobri nesses últimos dias foi o 99 Matters. A proposta é bem simples: “O que é importante para você?”

Essa pergunta é feita para algumas pessoas do atual cenário musical como o pessoal do National, Iron & Wine, Blonde Redhead, Lambchop, Bill Callahan, Why? e St. Vincent. Tem todas as respostas no site e algumas são bem interessantes e outras são apenas engraçadas.

un dia

outubro 9, 2008

Tive a oportunidade de ver um show da Juana Molina ano passado em São Paulo e foi algo impressionante. Ver ao vivo todo o trabalho com loops e sobreposições que ouvi nos discos foi inspirador.

“Un día voy a cantar las canciones sin letra y cada uno podrá imaginar si hablo de amor, de desilusión, banalidades o sobre Platón.”

Un Dia, quinto disco em 20 anos de carreira, é um conjunto de canções hipnóticas. A construção complexa dos últimos discos está muito mais colorida aqui, brincando cada vez mais com elementos eletrônicos e naturais. Juana consegue mesclar barulhos desconhecidos com elementos da musica pop, que viram um aconchegante crescendo em sua cabeça.
Apesar de toda essa complexidade musical, Un Dia é um discos extremamente humano que transpira todos os sentimentos em cada loop e frase das letras.

Juana Molina – Un Dia (2008) [Domino]

Creation

outubro 8, 2008

“I Know Someone Who Knows Someone Who Knows Alan McGee Quite Well”

Uma boa alma postou esse especial da MTV 120 Minutes sobre a Creation Records. Tem entrevistas com o Ride, MBV, Telescopes, Slowdive, Primal Scream… De chorar!


sunn O)))

outubro 8, 2008

O Sunn O))) foi convidado no ano passado para gravar um disco em uma igreja construída no século 13 na Noruega, como show de encerramento do Borealis Festival. Essa sessão foi captada em um sistema móvel de gravação e prensado em dois vinis de 180gr, lançados nesse ano apenas nesse formato (nada de cd ou download).

São quatro faixas que seguem um caminho um pouco diferente dos outros discos, que tinha como fundamento o drone. Aqui eles soam menos densos devido a gravação ter sido feita na igreja, o que resultou em timbres menos graves do que antes. Fugindo do padrão das guitarras, a dupla utilizou outros instrumentos para esse show, principalmente o órgão de sopro da catedral.

Não espere outro disco de doom-drone-Sunn O))). Dømkirke é um experimento de timbres e ambientações sonoras, longe do conforto do estúdio e da pós-produção.

sunn O))) – Domkirke (2008) [Sothern Lord]

cover art

outubro 8, 2008

Genial essa exposição chamada Cover Band, na Gallery 1988 de Los Angeles. Foi feito um pedido para 50 artistas fazerem suas ilustrações utilizando capas de discos como tela. Da para ver algumas dessas obras no blog da galeria.

Laura, Heather and Calvin

outubro 8, 2008

Não tenho muito o que escrever sobre o Beat Happening. Pelo menos nada que você não saiba. Então vou escrever mais ou menos o por que de todo esse universo da K Records ter um certo papel importante no meu senso musical.

Calvin Johnson é para mim uma das figuras mais importantes em termos de atitude perante o cenário musical. É claro que ele nunca vai entrar em alguma enciclopédia da música ou algum livro do tipo, apesar de ser uma das pessoas mais respeitadas quando se fala de pequenas gravadoras e produção musical independente.
No meio de todo aquele movimento punk/HC americano e do comecinho do grunge durante os anos 80, timidamente Calvin Johnson criou em Olympia um movimento próprio, usando a filosofia DIY do punk para quebrar os padrões convencionais do rock e, de certa forma, criou um novo modo de se portar na sociedade. A K Records e o Beat Happening adotaram o hoje batido senso estético “lo-fi”, com uma atitude primitiva e não convencional de tocar e gravar música.
Desde moleque, Calvin se interessou por música independente. Depois de crescer ouvindo Velvet e Stooges, em 1977 ele já passava grande parte de seu tempo contribuindo para um “certo” fanzine chamado Sub Pop… Alguns anos depois ele resolveu montar sua própria gravadora, com um único ideal: lançar discos de bandas desconhecidas que nenhuma outra gravadora lançaria, sempre fazendo tudo por conta própria, seja as capas dos discos, as gravações e a divulgação. Em uma entrevista para a CBC em 1995, ele disse que “só queria lançar os discos das bandas dos meus amigos, o que é exatamente o que eu faço até hoje…”.

Admiro essa “necessidade” de buscar por pequenas bandas desconhecidas. Desde que toda esse mito criado pela K Records chegou ao meu alcance, comecei a criar o interesse de pesquisar e passar para frente essas bandas.
Para entender mais sobre tudo isso do que eu resumidamente escrevi, recomendo a leitura do tão falado artigo do Nitsuh Abebe (cheguei a traduzir, mas nem lembro mais onde coloquei) e do obrigatório livro Our Band Could Be Your Life, do Michael Azerrad, sobre o cenário independente americano dos anos 80. Devo postar até o fim dessa semana o documentário The Shield Around the K sobre o legado da K Records.

Voltando para o Beat Happening, a caixa Crashing Through foi lançada em 2003 em uma edição de apenas 5.000 cópias. São os cinco discos de estúdio, um disco de raridades e b-sides e um sétimo disco com alguns vídeos e algumas canções de um show com o Vaselines.
É uma boa oportunidade para quem não conhece bem a banda ou a estética sonora confeccionada pelo mestre Calvin Johnson.

Beat Happening (1985)

Jamboree (1988)

Black Candy (1989)

Dreamy (1991)

You Turn Me On (1992)

Music To Climb The Apple Tree By (2003)

Bonus Disc (2003)

Vivian Girls

outubro 6, 2008

Vivian Girls já é a melhor banda realmente nova que ouvi esse ano. Não tem como não gostar de uma banda que soa como um Black Tambourines produzido pelo Phil Spector.
O debut dessas três garotas de Nova Yorke (sempre lá…) foi lançado na semana passada e foi aclamado por diversos sites especializados. Mas antes disso, ainda nesse ano, elas lançaram três compactos de 7” já esgotados. São pequenos atos maravilhosos que transpiram espírito garageiro.

Wild Eyes 7″ (2008) [Plays With Dolls]

Orphanage 7″ (2008) [Woodsist Records]

I Can’t Stay 7″ (2008) [In The Red Recordings]

PS: O Gustado, do ótimo Take the Pills, postou o disco de estréia delas aqui.

Fanzine de mp3

outubro 3, 2008

Seguindo o post do Giba e a discussão formada na indiepop list entre donos de pequenas gravadoras e donos desses blogs, resolvi escrever algumas considerações sobre os “blogs de mp3”.
Em novembro do ano passado, o jornalista Louis Pattison escreveu para a versão online do Guardian uma matéria dizendo que “os blogs de mp3 estão matando a música, mas matando com amor.” Ele cita uma entrevista com o fundador da DFA Records, Jonathan Galkin, que diz que os blogs de mp3 diminuíram a venda dos singles que eles lançam.

Bem, com uma visão internacional de todo o cenário, alguns blogs de mp3 ajudam a crescer a vendagem e a procura dos discos de artistas independentes. Eu defendo totalmente a idéia de postar discos de selos e bandas que não são vinculadas as gigantes gravadoras. As vezes eu até posto o disco de algum artista subsidiado por alguma major. Nesse caso, ou o disco foi lançado a bastante tempo e isso não influenciaria nas vendas do mesmo, ou o disco só foi lançado em vinil. Eu nunca postaria um disco do LCD Soundsystem, The Rapture ou qualquer artista da DFA, já que o selo compartilha os lucros com grande EMI. O fato de postar discos de bandas independentes faz com que as pessoas se interessem por esses artistas, indo nos shows e comprando algum merchandise por lá. Mais dinheiro para as bandas e menos para as gravadoras e distribuidoras. Acho justo dessa forma.
Agora, em se tratando dos blogs escritos em português, a discussão deve tomar outro rumo chegar por aqui. Como o Giba escreveu no post, os discos saem bastante caro para nós. O mercado brasileiro não é mais do que uma minúscula fatia no lucro das grandes e pequenas gravadoras. A gente contribui muito mais indo nos shows que nem sempre são tão caros, graças a iniciativa dos festivais independentes como o Noise e Coquetel Molotov. Ninguém aqui compra discos com a mesma freqüência que 5 anos atrás. E estamos falando de artistas novos, pois são esses os mais defendidos pelas grandes gravadoras.

Outro pequeno detalhe, porém importante, é o modo como esses discos são colocados a disposição na internet. É muito fácil copiar o link e postar no seu blog com alguma imagem coletada do Google Images. O fato da pessoa resenhar o disco, escrevendo suas opiniões que serão lidas por centenas de pessoas, é um ponto positivo para esse tipo de blog. Mostra que realmente ela ouviu o disco e quer compartilhar com você. É o compartilhamento de música bacana sendo feita nos pequenos lugares do mundo, que se não fosse pelos “blogs de mp3” nós, brasileiros desprivilegiados, não teríamos fácil acesso.
Esses blogs são a versão moderna dos fanzines que vinham com fita K7 nos anos 90. São pessoas que se interessam e buscam esse tipo de informação para poder passar para outras pessoas com o mesmo interesse.

Baixe o disco, escreva alguma coisa e passe para frente. Vá aos shows e, se sobrar trocados no fim do ano, compre o disco.