Posts Tagged ‘blues’

Robert Crumb e as mulheres

outubro 2, 2008

Robert Crumb sempre teve uma obsessão particular pelas mulheres, como pode ser visto em seus inúmeros livros. Aqui ele selecionou uma variedade de gravações estranhas de 78 rotações (a maioria das décadas de 20 e 30) só com vozes femininas. Outro detalhe interessante é que todas as canções são de regiões onde o clima é relativamente quente: México, Cuba, Turquia, Taiti, Vietnã, Algéria, Brasil etc. Por isso o titulo do disco.
O mais bacana é que seria impossível ouvir essas canções se não fosse pelo mestre Crumb.

Robert Crumb Presents Hot Women Singers (2003)

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Screamin’ Jay Hawkins

setembro 29, 2008

Quando eu não sei classificar algum tipo de artista eu o coloco na pasta “WTF music” no meu iTunes. O mestre Screamin’ Jay entra nessa categoria.
Esse disco é um dos melhores discos ao vivo que já ouvi. Coloco ele ao lado de discos como Live at the Harlem Square Club (Sam Cooke), Live at Leeds (Who), At Folsom Prison (Johnny Cash) e Live Rust (Neil Young). A diferença aqui é o clima intimista do show. Nada de banda de apoio, ouvimos somente a voz alucinada e o piano marcante de Screamin’ Jay, entre barulhos de copos e as risadas dos beberrões. Bem, posso dizer que a banda de apoio é a etílica platéia, que tem um papel importantíssimo na gravação. Não sei muito bem onde esse show foi gravado, mas parece que foi em algum clube minúsculo, o que nos ajuda a perceber o grande entertainer que ele era, contando piadas durante e entre as músicas e mexendo com o público.
Considero uma das gravações mais impressionantes e clássicas na história da música. Pegue um copo de whiskey (com gelo) e divirta-se.

Screamin’ Jay Hawkins – At Home With Jay In The Wee Wee Hours (1988)

Skip James

setembro 11, 2008

I laid down last night, tried to take my rest
My mind got to ramblin’, like a wild geese
From the west, from the west

Ouvir esse disco é como ouvir um telefonema direto dos anos 30, graças a Mississipi Records. Eles não tem site e nem lançam CDs. Eles compilam canções de artistas obscuros de folk, blues e americana, tudo em edições limitadas em vinil. O último lançamento deles é esse resgate de 12 das 18 músicas que continuam audíveis da primeira gravação de Skip James, de 1931. Depois dessa sessão, ele ficou mais de 30 anos sem gravar, só voltando a fazer isso quatro anos antes de sua morte, em 1969.
Seu trabalho ganhou uma atenção maior com a versão de “Jesus is a Mighty Good Leader” feita pelo Beck e por “Devil Got My Woman” ter feito parte da trilha sonora do Ghost World.
Skip James canta como se fosse um fantasma do passado, sussurrando em falsete enquanto utiliza sua técnica de dedilhar com três dedos, uma de suas principais características. Não se pode esperar muita qualidade depois dos 70 anos que se passaram desde a gravação, mas mesmo com o som abafado suas canções continuam maravilhosas.
A sensação de nostalgia ao ouvir os clicks e o chiado é impressionante.

Skip James – 1931 Sessions (2008) [Mississipi Records]