Posts Tagged ‘disco’

Gang Gang Dance

setembro 30, 2008

Nova Iorque sempre foi a grande expoente da cena que os jornalistas cunharam de “art rock”. De 2000 para cá, surgiu uma nova leva de bandas influenciada pela mítico barulho cultural da cidade: Black Dice, Liars, Raccoo-oo-oon, A Place To Bury Strangers, só para citar alguns. É claro que tem muita coisa ruim sendo feita por lá.
No meio do barulho e da gritaria sem sentido, o Gang Gang Dance consegue transformar toda essa carga experimental do “estio” em algo original. São pretensiosos ao experimentar diversos ritmos modernos (grime, funk, reggaeton , breakcore, dubstep…) para criar uma sonoridade de vanguarda que não soa massiva em momento algum. Com camadas de barulhos, batidas tribais e guitarras shoegazer, Saint Dymphna é uma criação artística de grande frescor inovador. Um dos discos do ano.

Gang Gang Dance – Saint Dymphna (2008) [Warp]

Brightblack Morning Light

setembro 29, 2008

Brightblack Morning Light é talvez hoje a banda mais hippie. Mas não aquele discurso hippie genérico “violão e flores”, o que temos aqui é o melhor da pscicodelia sessentista.
Gravado somente com energia solar na casinha do casal hippie, Motion To Rejoin é terceiro disco da banda e o segundo lançado pela Matador. As músicas são conduzidas por um teclado Rhodes vintage que dita a sonoridade que ouvimos durante toda a audição, que lembra bastante os momentos mais calmos do Spiritualized.

Brightblack Morning Light – Motion To Rejoin (2008) [Matador]

Pastels remixado

setembro 19, 2008

Mais Pastels… Illumination foi o segundo e último disco lançado pela Domino. Diferente dos discos anteriores, aqui a banda soa mais densa, deixando de lado as guitarras estridentes e a produção suja, mas ainda sim as músicas conseguem ser cativantes. Acho que é o meu disco favorito deles (“The Hits Hurt” é um das músicas que mais ouvi na vida), tirando os fabulosos singles, claro.

Um ano depois, em 1998, é lançado um disco com versões remixadas, chamado Illuminati. Algumas pérolas feitas por gente como Stereolab, My Bloody Valentine, Jim O’Rourke e Mouse On Mars, fazem valer o disco.

The Pastels – Illumination (1997) [Domino]

The Pastels – Illuminati: Pastels Music Remixed (1998) [Domino]

Fuck Mogwai

setembro 15, 2008

Fantástico esse split que está sendo vendido durante a turnê do Mogwai com o Fuck Buttons. É um CD-R numerado em uma capinha de papel normal. Conta com duas músicas, um remix do Mogwai para “Colours Move” e uma versão genial de “Mogwai Fear Satan” pelo Fuck Buttons.

Mogwai/Fuck Buttons – Tour CD (2008)

Skip James

setembro 11, 2008

I laid down last night, tried to take my rest
My mind got to ramblin’, like a wild geese
From the west, from the west

Ouvir esse disco é como ouvir um telefonema direto dos anos 30, graças a Mississipi Records. Eles não tem site e nem lançam CDs. Eles compilam canções de artistas obscuros de folk, blues e americana, tudo em edições limitadas em vinil. O último lançamento deles é esse resgate de 12 das 18 músicas que continuam audíveis da primeira gravação de Skip James, de 1931. Depois dessa sessão, ele ficou mais de 30 anos sem gravar, só voltando a fazer isso quatro anos antes de sua morte, em 1969.
Seu trabalho ganhou uma atenção maior com a versão de “Jesus is a Mighty Good Leader” feita pelo Beck e por “Devil Got My Woman” ter feito parte da trilha sonora do Ghost World.
Skip James canta como se fosse um fantasma do passado, sussurrando em falsete enquanto utiliza sua técnica de dedilhar com três dedos, uma de suas principais características. Não se pode esperar muita qualidade depois dos 70 anos que se passaram desde a gravação, mas mesmo com o som abafado suas canções continuam maravilhosas.
A sensação de nostalgia ao ouvir os clicks e o chiado é impressionante.

Skip James – 1931 Sessions (2008) [Mississipi Records]

Ariel Pink

agosto 28, 2008

Oddities Sodomies Vol. 1 é uma coletânea de sobras e versões gravadas entre 1997 e 2004, distribuída durante a turnê de 2008 “Thanks Mon, I’m Dead” e lançada agora pela Vinyl International. É um panorama de toda a genialidade de Ariel Pink, que começou a gravar suas músicas por conta própria em 1996.
A sonoridade peculiar assusta os desavisados. Quem ouve pela primeira vez, acha que está ouvindo alguma cópia da cópia de uma K7 de algum artista oitentista. Ariel grava todos os instrumentos (fazendo a bateria com a boca) usando um equipamento analógico de oito canais, criando canções que fogem de qualquer tipo de rótulo, apesar de ser clara algumas referências.
O mais incrível de ouvir Ariel Pink é a sensação de nostalgia, que soa estranhamente familiar. Parece ser aquela fitinha que o seu pai colocava para tocar no velho Opala, durante uma viagem para o interior.

Ariel Pink – Odditties Sodomies Vol. 1 (2008) [Vinyl International]

PS: agradeço a (L) pelo link.

ursos e águias

agosto 25, 2008

Daniel Rossen, principal compositor e voz do grande Grizzly Bear, tinha um projeto musical com o seu companheiro de quarto Fred Nicolaus, na Universidade de NY. Os dois começaram a gravar de brincadeira, só para passar o tempo, usando o equipamento não muito profissional do vizinho Cris Taylor (também do Grizzly Bear) e gravaram alguns CD-Rs para distribuir entre os amigos. O tempo passou, Daniel se juntou ao Grizzly Bear, foram aclamados pela critica ao lançarem o Yellow House e saíram em turnê pelo mundo. Durante as pausas e nos fins de semana, Fred e Daniel trocavam materiais na medida que gravavam, esperando o momento para lançarem um segundo disco.

Depois de quatro anos, enfim sai In Ear Park do Department of Eagles. O disco foi produzido pelo Chris Taylor, que também tocou baixo e metais, e teve a ajuda do baterista do Grizzly Bear, Chris Bear.
In Ear Park é uma coleção de canções pessoais, onde Daniel aproveitou para escrever sobre sua infância, principalmente sobre o relacionamento com seu pai, que faleceu enquanto estava em turnê, em 2007.  Fugindo um pouco do experimentalismo do Grizzly Bear, Department of Eagles é mais direto e conta com uma produção mais sutil, apesar de ser a mesma voz e existir alguns elementos característicos do freak-folk. É um daqueles discos bonitos que cresce em cada audição, ou como li em uma resenha, “um álbum perfeito para aquele seu amigo que não curte Grizzly Bear (se vocês ainda continuam amigos…)”.
Department of Eagles – In Ear Park (2008) [4AD]

Elverum, Doiron, Squire e as montanhas

agosto 20, 2008

Pouco da música que é feita hoje em dia me atinge com tanta força quanto a que é feita em um pequeno quarto em uma simplória cidade em Washington. Essa simplicidade enfim pairou sobre o Mount Eerie, atual projeto principal do Phil Elverum. Depois de lançar discos elaborados, Lost Wisdom é um álbum mais tranqüilo. A densidade antes presente nos instrumentos e climas sobrepostos, agora se concentra nas letras e vozes, isso por contar com a participação da Julie Doiron. Faz todo o sentido ela ter sentado ali na sala de Phil para gravar esse disco, pois se tem alguma voz que combina com a temática do Mount Eerie, essa voz é a dela. Já tinha ouvido algumas dessas músicas em bootlegs, mas agora elas tem aquela força própria presente nos discos anteriores.
Gravado durante uma visita de Julie Doiron e Fred Squire, Lost Wisdom se resume em vozes, violão e guitarra. Enquanto Phil dedilha seu sempre presente violão de nylon, Squire acompanha com a guitarra, ora com sutileza, ora com intensidade, servindo de pano de fundo para o profundo dueto de vozes. A paisagem montanhosa da janela da sala está presente em cada canção desse álbum. Cada palavra parece distante e perto ao mesmo tempo. A sensação é a de que elas percorreram um longo caminho até chegar nos meus ouvidos, indo direto para o coração. Como um sopro frio descendo montanhas.

Mount Eerie – Lost Wisdom (2008) [P.W. Elverum & Sun]

No Age & Liars

agosto 20, 2008

Esse split foi vendido durante a turnê conjunta do No Age e Liars, no inverno desse ano. Para cada cidade, era vendido um compacto de cor e arte diferente. O desse post foi ripado da versão de Denton, limitada em 18 cópias. Coisa rara!
A faixa do Liars é uma cover do Jonathan Halper e lembra a fase do disco They Were Wrong, So We Drowned, porém, menos esquizofrênica.
Já a música do No Age é tudo aquilo que se pode esperar da banda: barulho juvenil! Te faz torcer para alguém trazê-los para tocar por aqui. Uma das melhores bandas da leva atual, com certeza.


Liars & No Age – Winter ’08 Tour 7″ (2008)

com a palavra, Dan Deacon

agosto 19, 2008

Esse compacto foi lançado pelo pessoal do 307 Knox, em uma edição limitada prensada em vinil roxo.
De um lado Dan Deacon, e Future Islands do outro lado. A música do Future Islands foi gravada em 2006 e masterizada pelo Dan.

Dan Deacon escreveu sobre as musicas que ele escolheu para colocar nesse split:

“As musicas que estão nesse disco foram feitas entre 2003 e 2008. Eu apenas quis juntar algumas canções divertidas e bobas, para contrastar com algumas coisas mais intensas que estou trabalhando para meu disco novo. Aqui vai algumas notas sobre as musicas:

Mark Brown: essa canção foi feita quando eu estava na turnê do Ultimate Reality. É uma simples peça dançante de bateria eletrônica e um midi de clarinete, modulada através de um LFO (Low Frequency Oscillator). Fazia tempo que não criava uma canção divertida para festas regadas a pizzas, e me senti muito bem quando essa musica saiu. Foi originalmente lançada na compilação Wham City Box (edição limitada em 50 cópias).

Crank It: essa canção manipulada dos Beatles fez parte de uma grande colagem sonora para uma música. Foi feita em 2003. Você quase não consegue reconhecer qual é a canção, já que é bastante densa, mas eu gosto desse jeito. Eu sei que ficou terrível, me desculpem. Mas vamos em frente!

Shoe Faces: essa também é parte de uma grande colagem. Diferente de “Crank It”, essa é uma peça original. “Shoe Faces” é um movimento para a música “George Washinghands”. Nessa música, cinco vocalistas tinham que gravar enquanto ouviam a original, tentando repetir exatamente o que ouviam. De qualquer forma, essa pequena parte sempre me fez sorrir e pensei que seria legal mostrá-la dessa forma.

Elf Wire: acho que isso é de 2002. Tinha começado a mexer com música eletrônica. Dei um nome para ela só para esse lançamento.

Silver Bells: uma música clássica de beleza atemporal. Esse arranjo foi feito em 2007 na Irlanda no meio de uma turnê. Foi originalmente lançada na Baltimas 3, que é uma compilação limitada de natal da Wham City que sai todos os anos.

Bem, espero que essas explicações não foram chatas. Fico imaginando se alguém vai ler tudo isso. Se sim, obrigado pela paciência! Espero que gostem do meu lado nesse compacto. Me diverti bastante escolhendo essas músicas.

Sinceramente, Dan Deacon.
Baltimore, Maryland
01/07/2008

Dan Deacon / Future Islands – split 7″ (2008) [307 Knox Records]