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Criaturas do carvalho

janeiro 7, 2009

sunshinefishing

Blood and water
round and round
beneath my skin
and underground

Nem sempre é necessário usar um computador para fazer uma pequena obra prima em animação. Christiane Cegavske demorou 13 anos para finalizar a premiada fábula adulta Blood Tea and Red String. Feita em stop-motion, com influências que vão de Lynch, Irmãos Quay e Jan Svankmajer, a animação conta a disputa entre os aristrocatas “Ratos Brancos” e as Criaturas que Habitam o Carvalho” por uma boneca.
O detalhismo dos cenários e personagens é estonteante! Christiane conseguiu criar um mundo, que mesmo colorido, é assustador como um pesadelo na infância. A falta de diálogos parece ser essencial, fazendo a trilha sonora de Mark Growden um elemento tão importante que seria impossível imaginar o filme sem a flauta que um dos habitantes do carvalho usa em algumas cenas do filme. Blood Tea and Red String é uma daquelas animações que lhe causaria um trauma caso tivesse assistido quando criança.

capa-blood

Christiane Cegavske – Blood Tea and Red String (2006) [Torrent]

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Vivian Girls

outubro 6, 2008

Vivian Girls já é a melhor banda realmente nova que ouvi esse ano. Não tem como não gostar de uma banda que soa como um Black Tambourines produzido pelo Phil Spector.
O debut dessas três garotas de Nova Yorke (sempre lá…) foi lançado na semana passada e foi aclamado por diversos sites especializados. Mas antes disso, ainda nesse ano, elas lançaram três compactos de 7” já esgotados. São pequenos atos maravilhosos que transpiram espírito garageiro.

Wild Eyes 7″ (2008) [Plays With Dolls]

Orphanage 7″ (2008) [Woodsist Records]

I Can’t Stay 7″ (2008) [In The Red Recordings]

PS: O Gustado, do ótimo Take the Pills, postou o disco de estréia delas aqui.

Castanets

outubro 2, 2008

Como o próprio nome do disco sugere, o novo do Castanets tem uma enorme carga sentimental no que se diz respeito ao isolamento. O fato das canções terem sido gravadas durante três semanas em um quarto de hotel no deserto de Nevada, ajudou a carregar esse clima do disco.
Ray Raposa criou uma trilha sonora fictícia para algum filme nostálgico, utilizando ruídos que ecoam entre as canções e interlúdios de guitarras que lembram as trilhas dos spaghetti westerns. Depois foram adicionadas algumas pequenas passagens de amigos como Sufjan Stevens, Dawn Smithson (Sunn O)))) e Scott Tuma (Souled American).
City of Refuge é uma paisagem desolada. Talvez com alguns coiotes e lagartos passando por ali, mas nada mais que isso.

Castanets – City of Refuge (2008) [Asthmatic Kitty]

Gang Gang Dance

setembro 30, 2008

Nova Iorque sempre foi a grande expoente da cena que os jornalistas cunharam de “art rock”. De 2000 para cá, surgiu uma nova leva de bandas influenciada pela mítico barulho cultural da cidade: Black Dice, Liars, Raccoo-oo-oon, A Place To Bury Strangers, só para citar alguns. É claro que tem muita coisa ruim sendo feita por lá.
No meio do barulho e da gritaria sem sentido, o Gang Gang Dance consegue transformar toda essa carga experimental do “estio” em algo original. São pretensiosos ao experimentar diversos ritmos modernos (grime, funk, reggaeton , breakcore, dubstep…) para criar uma sonoridade de vanguarda que não soa massiva em momento algum. Com camadas de barulhos, batidas tribais e guitarras shoegazer, Saint Dymphna é uma criação artística de grande frescor inovador. Um dos discos do ano.

Gang Gang Dance – Saint Dymphna (2008) [Warp]

Brightblack Morning Light

setembro 29, 2008

Brightblack Morning Light é talvez hoje a banda mais hippie. Mas não aquele discurso hippie genérico “violão e flores”, o que temos aqui é o melhor da pscicodelia sessentista.
Gravado somente com energia solar na casinha do casal hippie, Motion To Rejoin é terceiro disco da banda e o segundo lançado pela Matador. As músicas são conduzidas por um teclado Rhodes vintage que dita a sonoridade que ouvimos durante toda a audição, que lembra bastante os momentos mais calmos do Spiritualized.

Brightblack Morning Light – Motion To Rejoin (2008) [Matador]

Screamin’ Jay Hawkins

setembro 29, 2008

Quando eu não sei classificar algum tipo de artista eu o coloco na pasta “WTF music” no meu iTunes. O mestre Screamin’ Jay entra nessa categoria.
Esse disco é um dos melhores discos ao vivo que já ouvi. Coloco ele ao lado de discos como Live at the Harlem Square Club (Sam Cooke), Live at Leeds (Who), At Folsom Prison (Johnny Cash) e Live Rust (Neil Young). A diferença aqui é o clima intimista do show. Nada de banda de apoio, ouvimos somente a voz alucinada e o piano marcante de Screamin’ Jay, entre barulhos de copos e as risadas dos beberrões. Bem, posso dizer que a banda de apoio é a etílica platéia, que tem um papel importantíssimo na gravação. Não sei muito bem onde esse show foi gravado, mas parece que foi em algum clube minúsculo, o que nos ajuda a perceber o grande entertainer que ele era, contando piadas durante e entre as músicas e mexendo com o público.
Considero uma das gravações mais impressionantes e clássicas na história da música. Pegue um copo de whiskey (com gelo) e divirta-se.

Screamin’ Jay Hawkins – At Home With Jay In The Wee Wee Hours (1988)

Pastels remixado

setembro 19, 2008

Mais Pastels… Illumination foi o segundo e último disco lançado pela Domino. Diferente dos discos anteriores, aqui a banda soa mais densa, deixando de lado as guitarras estridentes e a produção suja, mas ainda sim as músicas conseguem ser cativantes. Acho que é o meu disco favorito deles (“The Hits Hurt” é um das músicas que mais ouvi na vida), tirando os fabulosos singles, claro.

Um ano depois, em 1998, é lançado um disco com versões remixadas, chamado Illuminati. Algumas pérolas feitas por gente como Stereolab, My Bloody Valentine, Jim O’Rourke e Mouse On Mars, fazem valer o disco.

The Pastels – Illumination (1997) [Domino]

The Pastels – Illuminati: Pastels Music Remixed (1998) [Domino]

Horse Feathers

setembro 16, 2008

O tempo que gasto para ir da minha casa até o trabalho é uma hora sagrada para ouvir música. Não sei por que, mas o fato de eu ainda estar meio sonolento ajuda na minha percepção auditiva. Sempre procuro ouvir um disco que sejam calmos o suficiente para não incomodar minha sonolência. Nos últimos dias esse disco tem sido o fantástico House With No Home, do Horse Feathers.
O disco é um apanhado de detalhes minimalistas dentro do cânone “americana” (uma das diversas vertentes do folk) que combinam perfeitamente com as poucas frases emitidas. Uma bela audição para quem gosta de Bon Iver, Will Oldham e coisas antigas do Iron & Wine.

Horse Feathers – House With No Home (2008) [Kill Rock Stars]

Fuck Mogwai

setembro 15, 2008

Fantástico esse split que está sendo vendido durante a turnê do Mogwai com o Fuck Buttons. É um CD-R numerado em uma capinha de papel normal. Conta com duas músicas, um remix do Mogwai para “Colours Move” e uma versão genial de “Mogwai Fear Satan” pelo Fuck Buttons.

Mogwai/Fuck Buttons – Tour CD (2008)

“the world didn’t come to an end.”

setembro 12, 2008

Bill Melendez conheceu Charles Schulz em 1959, quando animava pela primeira vez Charlie Brown e sua turma para um comercial da Ford. Os dois viraram grandes amigos e Melendez se tornou a única pessoa autorizada a animar os personagens. O famoso pulinho de alegria e a “voz” de Snoopy são alguns dos pequenos detalhes que marcaram as animações de Peanuts, graças a Melendez.

Nascido no México, Jose Cuauthemoc “Bill” Melendez foi contratado pela Disney em 1938, onde participou de clássicos como Fantasia, Dumbo, Bambi e Pinóquio. Alguns anos depois, animou episódios do Pernalonga, Patolino e Gaguinho para a Warner. Dai para frente, Melendez ganhou centenas prêmios com suas animações e comerciais, chegando a ganhar um Oscar de melhor curta de animação em 1951.

Ele faleceu no último dia 2, com 91 anos de idade. Acho que Melendez teve um dos melhores trabalhos que alguém poderia ter. E faço aqui uma pequena homenagem ao dono dos traços essenciais para a minha infância.
Foram produzidos quatro especiais com os personagens de Schulz. Coloquei os dois primeiros aqui, junto com as respectivas trilhas sonoras, compostas pelo mestre Vince Guaraldi, que merece um tópico próprio, por sinal.

A Charlie Brown Christmas (1965)

Vince Guaraldi – A Charlie Brown Christmas (1965)

A Boy Named Charlie Brown (1969)

Vince Guaraldi – A Boy Named Charlie Brown (1969)