Posts Tagged ‘experimental’

sunn O)))

outubro 8, 2008

O Sunn O))) foi convidado no ano passado para gravar um disco em uma igreja construída no século 13 na Noruega, como show de encerramento do Borealis Festival. Essa sessão foi captada em um sistema móvel de gravação e prensado em dois vinis de 180gr, lançados nesse ano apenas nesse formato (nada de cd ou download).

São quatro faixas que seguem um caminho um pouco diferente dos outros discos, que tinha como fundamento o drone. Aqui eles soam menos densos devido a gravação ter sido feita na igreja, o que resultou em timbres menos graves do que antes. Fugindo do padrão das guitarras, a dupla utilizou outros instrumentos para esse show, principalmente o órgão de sopro da catedral.

Não espere outro disco de doom-drone-Sunn O))). Dømkirke é um experimento de timbres e ambientações sonoras, longe do conforto do estúdio e da pós-produção.

sunn O))) – Domkirke (2008) [Sothern Lord]

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Gang Gang Dance

setembro 30, 2008

Nova Iorque sempre foi a grande expoente da cena que os jornalistas cunharam de “art rock”. De 2000 para cá, surgiu uma nova leva de bandas influenciada pela mítico barulho cultural da cidade: Black Dice, Liars, Raccoo-oo-oon, A Place To Bury Strangers, só para citar alguns. É claro que tem muita coisa ruim sendo feita por lá.
No meio do barulho e da gritaria sem sentido, o Gang Gang Dance consegue transformar toda essa carga experimental do “estio” em algo original. São pretensiosos ao experimentar diversos ritmos modernos (grime, funk, reggaeton , breakcore, dubstep…) para criar uma sonoridade de vanguarda que não soa massiva em momento algum. Com camadas de barulhos, batidas tribais e guitarras shoegazer, Saint Dymphna é uma criação artística de grande frescor inovador. Um dos discos do ano.

Gang Gang Dance – Saint Dymphna (2008) [Warp]

all about Jandek

agosto 31, 2008

Em outubro de 2004 na Escócia, um dos maiores mistérios do cenário musical foi desvendado. A data marca a primeira aparição em público do mito Jandek, depois de 26 anos lançando discos no anonimato. Nesse mesmo ano foi lançado o documentário Jandek on Corwood, que trata do barulho em torno da figura enigmática que estampa algumas das capas dos discos.
Desde então, muito já foi escrito e falado sobre Jandek, mas essa “exposição” não fez muita diferença para ele, que continua espancando seu violão desafinado, ora sussurrando ora gritando, e continua lançando em média dois discos por ano pela sua própria gravadora, a Corwood.
Para quem nunca ouviu falar dele, segue abaixo um artigo de 1999 escrito por Douglas Wolk.

Homem de Mistério – A História de Jandek
por Douglas Wolk

O enigma mais duradouro, estranho e solitário da música é um cara do Texas, que se nomeia Jandek. Seu disco The Beginning acabou de ser sair pela Carwood Industries (Box 15375, Houston, Texas 77220), que lançou todos os seus 28 discos e isso é tudo que sabemos sobre a gravadora. O disco vem acompanhado por uma reedição do sue primeiro álbum, Ready for the House, que foi lançado originalmente em 1978 sob o nome “The Units” (ele é o único músico da “banda” e todos os discos seguintes, e essa reedição, são sob o nome “Jandek”).

Jandek nunca tocou em público e nunca deu uma entrevista por vontade própria. Uma jornalista do Texas Monthly conseguiu localizá-lo alguns meses atrás. Eles conversaram sobre alergias e jardinagem, e ele educadamente disse que nunca mais gostaria de ser chamado para uma entrevista sobre o Jandek. As capas dos seus discos são fotografias granuladas e desfocadas de um homem, de partes de uma casa e algumas cortinas. Nas contra-capas tem escrito o nome “Jandek”, o nome do disco, as faixas com as durações e o endereço da Corwood, tudo escrito com a mesma fonte estranha. E é tudo o que todo mundo sabe.

E como é sua música? Pura desolação. Jandek não é só um projeto solo mas também profundamente solitário nas gravações, dedilhando de forma desordenada um violão desafinado, lamentando fora do tom sobre pensamentos, amor, caminhadas e Deus. Fora isso, há apenas o vazio: cada nota desafinada ecoa pelo espaço. Algumas vezes Jandek soa como algum cantor blues dos anos 20 e parece que as palavras são arrancadas uma por uma de seu corpo. Suas canções não tem refrões, ritmos, melodias e progressões, como a tediosa tortura-da-água-chinesa do livro The Unnameable, de Samuel Beckett: “I can’t go on, I’ll go on.”

Algumas pessoas quando ouvem Jandek pensam que é algum tipo de piada. Mas é difícil de imaginar uma brincadeira mantida meticulosamente por mais de 20 anos de gravações e lançamentos, e sempre no mesmo endereço. Outras pessoas simplesmente acham a música insuportável: é de fato monótona, feia e (na maioria das vezes) sem refino e completamente sem estrutura. E então há as pessoas que dificilmente conseguem ouvir outra coisa durante semanas, tão obcecadas pelo mistério de Jandek. (As vezes eu me encaixo na segunda categoria e outras vezes na terceira.)

A recompensa por essa obsessão é descobrir as nuances em sua obra cinzenta. Uma mulher, que deve se chamar Nancy, canta em algumas canções (“Nancy Sings”) e de vez em quando aparecem algumas pessoas tocando bateria ou outra guitarra, instrumentos que parecem nunca terem tocado antes. As vezes Jandek toca mais guitarra do que violão. No disco Lost Cause, de 1992, tem algumas canções que são até convencionais, mas a música que encerra o disco são 20 minutos de puro barulho, chamada “The Electric End”.

E mesmo pensando em sua obra como uma só – as notas desesperadas de “They Told Me About You”, do disco Ready for the House, e de “I Never Left You Anyway”, do The Beginning, gravadas com 21 anos de diferença, parecem ter vindo do mesmo impulso – cada disco tem uma identidade distinta e seu próprio momento de revelação. A faixa titulo do The Beginning é uma improvisação de piano de 15 minutos, um instrumento que Jandek nunca havia gravado antes, e claro, tão desafinado quanto você pode imaginar. E de alguma forma, Ready é a chave para o resto da obra de Jandek: ele usa frases de letras dos seus discos anteriores (Staring at the Cellophane, Chair Beside a Window, Somebody in the Snow), regravou “European Jewel” várias vezes, e criou um modelo para a sua carreira corajosa. Suas músicas precisam existir e serem ouvidas. Comparadas com a “verdadeira” música pop, as canções de Jandek são assustadoramente feias, mas pelas décadas de persistência, pelo alcance de seu trabalho, elas se tornaram intensamente bonitas e significativas. Elas são absolutamente expressivas, uma imagem desfocada de toda sua vida adulta. E assim ele respondeu para a jornalista do Texas Monthly, que perguntou se ele queria que as pessoas entendessem seu trabalho: “Não há nada para entender.”

Jandek – Discografia (55 discos)

“Chora, meu serrote”

agosto 10, 2008

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A Elephant Six tem um papel importante na minha formação musical. É de lá que veio a minha curiosidade por gravações lo-fi, experimentações com loops e a utilização de instrumentos não usuais. E um dos projetos que mais se encaixa nesses quesitos é o The Music Tapes, liderado por Julian Koster, um dos fundadores do lendário Neutral Milk Hotel.
For Clouds And Tornadoes é o seu melhor disco. A sua devoção ao “violino de serrote” continua ali, mas tudo está bem mais conciso que nas outras gravações. O disco contou, como sempre, com a participação de outros membros do coletivo E6 e foi gravado com vários equipamentos antigos, criando o clima nostálgico lo-fi do disco.
É o tipo de disco que eu gostaria de gravar: juntar os amigos no quintal, com alguns instrumentos bacanas e fazer tudo isso sem qualquer tipo de pressão.

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The Music Tapes – For Clouds And Tornadoes [2008] [Merge]