Posts Tagged ‘folk’

shows do Will Oldham

outubro 24, 2008

E saiu as datas do show do bardo barbudo:

27/11: Studio SP (São Paulo)
28/11: Boomerang Bar (Salvador)
30/11: Santander Cultural (Porto Alegre)

Show imperdível para quem mora nessas cidades. E para quem compartilha da infecilidade de morar longe do grande circuito de shows, se contente com o Lie Down in the Light, um dos grandes discos desse ano.

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un dia

outubro 9, 2008

Tive a oportunidade de ver um show da Juana Molina ano passado em São Paulo e foi algo impressionante. Ver ao vivo todo o trabalho com loops e sobreposições que ouvi nos discos foi inspirador.

“Un día voy a cantar las canciones sin letra y cada uno podrá imaginar si hablo de amor, de desilusión, banalidades o sobre Platón.”

Un Dia, quinto disco em 20 anos de carreira, é um conjunto de canções hipnóticas. A construção complexa dos últimos discos está muito mais colorida aqui, brincando cada vez mais com elementos eletrônicos e naturais. Juana consegue mesclar barulhos desconhecidos com elementos da musica pop, que viram um aconchegante crescendo em sua cabeça.
Apesar de toda essa complexidade musical, Un Dia é um discos extremamente humano que transpira todos os sentimentos em cada loop e frase das letras.

Juana Molina – Un Dia (2008) [Domino]

Castanets

outubro 2, 2008

Como o próprio nome do disco sugere, o novo do Castanets tem uma enorme carga sentimental no que se diz respeito ao isolamento. O fato das canções terem sido gravadas durante três semanas em um quarto de hotel no deserto de Nevada, ajudou a carregar esse clima do disco.
Ray Raposa criou uma trilha sonora fictícia para algum filme nostálgico, utilizando ruídos que ecoam entre as canções e interlúdios de guitarras que lembram as trilhas dos spaghetti westerns. Depois foram adicionadas algumas pequenas passagens de amigos como Sufjan Stevens, Dawn Smithson (Sunn O)))) e Scott Tuma (Souled American).
City of Refuge é uma paisagem desolada. Talvez com alguns coiotes e lagartos passando por ali, mas nada mais que isso.

Castanets – City of Refuge (2008) [Asthmatic Kitty]

Horse Feathers

setembro 16, 2008

O tempo que gasto para ir da minha casa até o trabalho é uma hora sagrada para ouvir música. Não sei por que, mas o fato de eu ainda estar meio sonolento ajuda na minha percepção auditiva. Sempre procuro ouvir um disco que sejam calmos o suficiente para não incomodar minha sonolência. Nos últimos dias esse disco tem sido o fantástico House With No Home, do Horse Feathers.
O disco é um apanhado de detalhes minimalistas dentro do cânone “americana” (uma das diversas vertentes do folk) que combinam perfeitamente com as poucas frases emitidas. Uma bela audição para quem gosta de Bon Iver, Will Oldham e coisas antigas do Iron & Wine.

Horse Feathers – House With No Home (2008) [Kill Rock Stars]

Skip James

setembro 11, 2008

I laid down last night, tried to take my rest
My mind got to ramblin’, like a wild geese
From the west, from the west

Ouvir esse disco é como ouvir um telefonema direto dos anos 30, graças a Mississipi Records. Eles não tem site e nem lançam CDs. Eles compilam canções de artistas obscuros de folk, blues e americana, tudo em edições limitadas em vinil. O último lançamento deles é esse resgate de 12 das 18 músicas que continuam audíveis da primeira gravação de Skip James, de 1931. Depois dessa sessão, ele ficou mais de 30 anos sem gravar, só voltando a fazer isso quatro anos antes de sua morte, em 1969.
Seu trabalho ganhou uma atenção maior com a versão de “Jesus is a Mighty Good Leader” feita pelo Beck e por “Devil Got My Woman” ter feito parte da trilha sonora do Ghost World.
Skip James canta como se fosse um fantasma do passado, sussurrando em falsete enquanto utiliza sua técnica de dedilhar com três dedos, uma de suas principais características. Não se pode esperar muita qualidade depois dos 70 anos que se passaram desde a gravação, mas mesmo com o som abafado suas canções continuam maravilhosas.
A sensação de nostalgia ao ouvir os clicks e o chiado é impressionante.

Skip James – 1931 Sessions (2008) [Mississipi Records]

Lambchop

agosto 25, 2008

Lambchop é Kurt Wagner. E como qualquer pessoa passa por diversas fases, o grupo já flertou com vários tipos de sonoridades, do pós-rock ao soul. Nesses 20 anos de carreira, Kurt sempre manteve um pé no folk e country, sendo um dos expoentes do chamado “country alternativo”.
OH (Ohio) é o décimo segundo álbum de estúdio da banda e novamente percebe-se que o Lambchop é um canal que Kurt usa para divulgar o seu lirismo. Aqui ele soa mais calmo que o normal, evocando as raízes soul do folk de Nashville, cidade em que Kurt mora há 13 anos.
11 canções para ouvir sentado na varanda (caso você tenha uma), olhando o casal de velhinhos, as crianças correndo ou apenas o tempo passando.

Lambchop – OH (Ohio) (2008) [Merge]

Não mais do mesmo

agosto 11, 2008

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Quando o The Unicorns acabou, um pouco da originalidade da cena indie se foi, também. Mas Nick Thornburn é um desses músicos que não conseguem ficar parados. Ainda bem. Veio o genial Islands e o projeto de hip-hop Th’ Corn Gangg, e mesmo assim Nick continuou incansável e se juntou com Jim Guthrie, companheiro de turnê com o Islands, para gravar um disco sob a alcunha de Human Highway.
Moody Motorcycle poderia ser mais um desses milhares de discos de folk que aparecem diariamente em blogs de mp3, mas não é. Da para identificar onde tem o dedo do Nick, transformando canções folk em cativantes misturas de timbres e vocais no melhor estilo Everly Brothers. The Sound, faixa que abre o disco, é um exemplo disso: começa com uma seqüência normal de acordes no violão, você pensa “ok, deixa eu colocar a tag FOLK no iTunes…”, mas ai entra os vocais maravilhosamente combinados de Nick e Jim com uma bateria quase dançante, “eu sabia que não poderia ser só isso!”. E é desse jeito que o disco continua, cheio de pequenas surpresas que faz a gente querer ouvir o disco de novo e de novo…

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Human League – Moody Motorcycle (2008)

“Chora, meu serrote”

agosto 10, 2008

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A Elephant Six tem um papel importante na minha formação musical. É de lá que veio a minha curiosidade por gravações lo-fi, experimentações com loops e a utilização de instrumentos não usuais. E um dos projetos que mais se encaixa nesses quesitos é o The Music Tapes, liderado por Julian Koster, um dos fundadores do lendário Neutral Milk Hotel.
For Clouds And Tornadoes é o seu melhor disco. A sua devoção ao “violino de serrote” continua ali, mas tudo está bem mais conciso que nas outras gravações. O disco contou, como sempre, com a participação de outros membros do coletivo E6 e foi gravado com vários equipamentos antigos, criando o clima nostálgico lo-fi do disco.
É o tipo de disco que eu gostaria de gravar: juntar os amigos no quintal, com alguns instrumentos bacanas e fazer tudo isso sem qualquer tipo de pressão.

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The Music Tapes – For Clouds And Tornadoes [2008] [Merge]

Micah P. Hinson – Micah P. Hinson and the Red Empire Orchestra [2008]

julho 10, 2008

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No dia 8 de dezembro do ano passado, após um show com o Mountain Goats, Micah pede sua namorada em casamento diante do público. Piegas e bonito. Um momento redentor para uma vida cheia de baixos.
Depois de lançar o elogiado Micah P. Hinson and the Gospel of Progress (2004), que foi concebido em meio à remédios como modo de tentar se livrar de pesos do passado, Micah sofre um pequeno “acidente” que o deixa com uma dor permanente em suas costas. Após uma cirurgia, Micah fica meses de cama e, novamente, dependendo de xanax, codeína… Amigos começam a aparecer e canções surgem. Gravado sob essas circunstâncias, Micah P. Hinson and the Red Empire Orchestra é um disco denso, mas com uma ponta de esperança em cada verso. Canções arrastadas, dopadas, com um pé no country, fazendo jus ao seu sangue texano, Micah canta: “You’ll find me alone ‘cause I lost my way when I was headin’ home…”. Piegas e bonito assim.

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Micah P. Hinson – Micah P. Hinson and the Red Empire Orchestra [2008]

Laura Barrett – Earth Sciences (2008)

junho 16, 2008

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Quando a Joanna Newsom apareceu, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a harpa. Foi a primeira vez que ouvi um disco “pop” (The Milk-Eyed Mender) tocado com um instrumento diferente do usual. Esse ano o disco solo da tecladista do Hidden Cameras cumpre esse papel. Vinda de uma formação clássica, Laura Barrett dedilha(?) uma calimba, instrumento que começou a tocar por curiosidade, nesse disco que foi gravado por conta própria mas relançado esse ano pela Paper Bag. O resultado é um disco bonito e relaxante, com canções simples pontuadas pela suave voz de Laura.
Só um aviso: “Smells Like Nirvana”, faixa 5, não é uma cover do Weird Al Yankovic…

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