Posts Tagged ‘freak folk’

ursos e águias

agosto 25, 2008

Daniel Rossen, principal compositor e voz do grande Grizzly Bear, tinha um projeto musical com o seu companheiro de quarto Fred Nicolaus, na Universidade de NY. Os dois começaram a gravar de brincadeira, só para passar o tempo, usando o equipamento não muito profissional do vizinho Cris Taylor (também do Grizzly Bear) e gravaram alguns CD-Rs para distribuir entre os amigos. O tempo passou, Daniel se juntou ao Grizzly Bear, foram aclamados pela critica ao lançarem o Yellow House e saíram em turnê pelo mundo. Durante as pausas e nos fins de semana, Fred e Daniel trocavam materiais na medida que gravavam, esperando o momento para lançarem um segundo disco.

Depois de quatro anos, enfim sai In Ear Park do Department of Eagles. O disco foi produzido pelo Chris Taylor, que também tocou baixo e metais, e teve a ajuda do baterista do Grizzly Bear, Chris Bear.
In Ear Park é uma coleção de canções pessoais, onde Daniel aproveitou para escrever sobre sua infância, principalmente sobre o relacionamento com seu pai, que faleceu enquanto estava em turnê, em 2007.  Fugindo um pouco do experimentalismo do Grizzly Bear, Department of Eagles é mais direto e conta com uma produção mais sutil, apesar de ser a mesma voz e existir alguns elementos característicos do freak-folk. É um daqueles discos bonitos que cresce em cada audição, ou como li em uma resenha, “um álbum perfeito para aquele seu amigo que não curte Grizzly Bear (se vocês ainda continuam amigos…)”.
Department of Eagles – In Ear Park (2008) [4AD]

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Tickley Feather – Tickley Feather (Paw Tracks) (2008)

maio 5, 2008

Tickley Feather

Esse disco está sendo a surpresa do ano para mim, até então. Tickley Feather é Annie Sachs, uma garota que cresceu em uma Virginia rural, o que influenciou bastante no estilo bucólico e orgânico de suas músicas. Totalmente gravado em casa com um gravador de quatro canais, o disco é composto por 20 canções, sendo que algumas são apenas vinhetas contando com a participação de sua filha. São canções simples (apenas duas passam dos três minutos de duração) dominadas por um clima hippie lo-fi, feitas enquanto Annie tentava se adaptar à condição de mãe solteira, o que torna o disco bastante pessoal e intimista. Apesar de ter sido gravado em casa, cada barulhinho parece ter sido meticulosamente colocado no lugar certo, sem soar cabeção demais e fazendo com que a audição seja deliciosa.
Comparada pela crítica com o trabalho de Syd Barrett, Kate Bush e Gilli Smith, Annie Sachs entra para o seleto grupo de jovens que desconstroem e reconstroem livremente a música pop, como Panda Bear, High Places e a Jullianna Barwick. O disco foi lançado pelo selo do pessoal do Animal Collective, que inclusive a convidaram para participar da turnê americana da banda.
Com certeza você não vai ouvir falar muito dela e nem deve aparecer nas listas dos melhores do ano das revistas e sites especializados, mas é um disco que vai adocicar meia hora do seu dia.

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