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Brightblack Morning Light

setembro 29, 2008

Brightblack Morning Light é talvez hoje a banda mais hippie. Mas não aquele discurso hippie genérico “violão e flores”, o que temos aqui é o melhor da pscicodelia sessentista.
Gravado somente com energia solar na casinha do casal hippie, Motion To Rejoin é terceiro disco da banda e o segundo lançado pela Matador. As músicas são conduzidas por um teclado Rhodes vintage que dita a sonoridade que ouvimos durante toda a audição, que lembra bastante os momentos mais calmos do Spiritualized.

Brightblack Morning Light – Motion To Rejoin (2008) [Matador]

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Screamin’ Jay Hawkins

setembro 29, 2008

Quando eu não sei classificar algum tipo de artista eu o coloco na pasta “WTF music” no meu iTunes. O mestre Screamin’ Jay entra nessa categoria.
Esse disco é um dos melhores discos ao vivo que já ouvi. Coloco ele ao lado de discos como Live at the Harlem Square Club (Sam Cooke), Live at Leeds (Who), At Folsom Prison (Johnny Cash) e Live Rust (Neil Young). A diferença aqui é o clima intimista do show. Nada de banda de apoio, ouvimos somente a voz alucinada e o piano marcante de Screamin’ Jay, entre barulhos de copos e as risadas dos beberrões. Bem, posso dizer que a banda de apoio é a etílica platéia, que tem um papel importantíssimo na gravação. Não sei muito bem onde esse show foi gravado, mas parece que foi em algum clube minúsculo, o que nos ajuda a perceber o grande entertainer que ele era, contando piadas durante e entre as músicas e mexendo com o público.
Considero uma das gravações mais impressionantes e clássicas na história da música. Pegue um copo de whiskey (com gelo) e divirta-se.

Screamin’ Jay Hawkins – At Home With Jay In The Wee Wee Hours (1988)

Horse Feathers

setembro 16, 2008

O tempo que gasto para ir da minha casa até o trabalho é uma hora sagrada para ouvir música. Não sei por que, mas o fato de eu ainda estar meio sonolento ajuda na minha percepção auditiva. Sempre procuro ouvir um disco que sejam calmos o suficiente para não incomodar minha sonolência. Nos últimos dias esse disco tem sido o fantástico House With No Home, do Horse Feathers.
O disco é um apanhado de detalhes minimalistas dentro do cânone “americana” (uma das diversas vertentes do folk) que combinam perfeitamente com as poucas frases emitidas. Uma bela audição para quem gosta de Bon Iver, Will Oldham e coisas antigas do Iron & Wine.

Horse Feathers – House With No Home (2008) [Kill Rock Stars]

ursos e águias

agosto 25, 2008

Daniel Rossen, principal compositor e voz do grande Grizzly Bear, tinha um projeto musical com o seu companheiro de quarto Fred Nicolaus, na Universidade de NY. Os dois começaram a gravar de brincadeira, só para passar o tempo, usando o equipamento não muito profissional do vizinho Cris Taylor (também do Grizzly Bear) e gravaram alguns CD-Rs para distribuir entre os amigos. O tempo passou, Daniel se juntou ao Grizzly Bear, foram aclamados pela critica ao lançarem o Yellow House e saíram em turnê pelo mundo. Durante as pausas e nos fins de semana, Fred e Daniel trocavam materiais na medida que gravavam, esperando o momento para lançarem um segundo disco.

Depois de quatro anos, enfim sai In Ear Park do Department of Eagles. O disco foi produzido pelo Chris Taylor, que também tocou baixo e metais, e teve a ajuda do baterista do Grizzly Bear, Chris Bear.
In Ear Park é uma coleção de canções pessoais, onde Daniel aproveitou para escrever sobre sua infância, principalmente sobre o relacionamento com seu pai, que faleceu enquanto estava em turnê, em 2007.  Fugindo um pouco do experimentalismo do Grizzly Bear, Department of Eagles é mais direto e conta com uma produção mais sutil, apesar de ser a mesma voz e existir alguns elementos característicos do freak-folk. É um daqueles discos bonitos que cresce em cada audição, ou como li em uma resenha, “um álbum perfeito para aquele seu amigo que não curte Grizzly Bear (se vocês ainda continuam amigos…)”.
Department of Eagles – In Ear Park (2008) [4AD]